“Os maiores rankings jurídicos globais já mudaram as regras do jogo. Escritórios que entenderem essa virada agora vão sair na frente. Os que ignorarem vão se perguntar por que perderam posições.”
As novas regras dos rankings jurídicos globais
Durante décadas, os rankings jurídicos globais funcionaram com uma lógica relativamente simples: os melhores escritórios eram aqueles com os advogados mais reconhecidos, as transações mais volumosas e as referências mais elogiosas de clientes e pares. Essa fórmula, ainda que eficiente para seu tempo, está sendo substituída por um conjunto de critérios muito mais complexo, multidimensional e alinhado às transformações do mundo corporativo.
A virada começou a se tornar visível por volta de 2020, quando grandes publicações como Chambers and Partners, Legal 500 e IFLR1000 passaram a incorporar perguntas sobre cultura organizacional, diversidade e práticas de governança em seus processos de pesquisa. O que antes era considerado um diferencial passou a ser tratado como requisito. E o movimento não para por aí.
Nos rankings jurídicos globais do presente e do futuro próximo, três forças estão redesenhando o campo de jogo: a incorporação dos critérios ESG como métricas de avaliação, o uso de inteligência artificial tanto pelas publicações quanto pelos escritórios, e a exigência crescente por diversidade real nas posições de liderança. Entender como essas forças operam é o primeiro passo para qualquer escritório que deseja manter ou conquistar posições relevantes nos rankings jurídicos globais.
O que é ESG e por que os rankings jurídicos globais passaram a exigi-lo
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou seja, critérios ambientais, sociais e de governança. Originalmente desenvolvido para avaliar empresas do mercado financeiro, o ESG migrou para o universo jurídico com força surpreendente, especialmente depois que grandes corporações passaram a exigir dos seus assessores jurídicos o mesmo nível de comprometimento que cobram de si mesmas.
Para os rankings jurídicos globais, o ESG se traduz em perguntas concretas: o escritório tem metas de redução de pegada de carbono? Existe uma política formal de pro bono com resultados mensuráveis? A governança interna é transparente e documentada? Os processos de promoção seguem critérios claros e isentos de vieses? Essas não são mais perguntas filosóficas. São itens de avaliação.
O Legal 500 foi uma das primeiras publicações a estruturar perguntas específicas sobre ESG em seus formulários de submissão. A tendência se espalhou rapidamente, e hoje praticamente todos os principais rankings jurídicos globais consideram, de alguma forma, o posicionamento ESG do escritório em sua análise. Escritórios que ignoram esse critério não estão apenas perdendo pontos em um formulário: estão comunicando ao mercado que estão desalinhados com as prioridades de seus clientes mais estratégicos.
O que os rankings jurídicos globais avaliam em ESG |
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Políticas ambientais e metas de sustentabilidade do escritório |
Programas de pro bono com impacto mensurável e documentado |
Governança interna: critérios de promoção, remuneração e liderança |
Engajamento com causas sociais relevantes para o mercado |
Relatórios de responsabilidade corporativa publicados regularmente |
Comprometimento com fornecedores e parceiros que sigam práticas ESG |
Há um dado que ilustra bem a urgência desse tema: segundo levantamentos do próprio setor, mais de 70% dos clientes corporativos globais afirmam considerar o posicionamento ESG de um escritório como fator relevante na escolha de assessores jurídicos. Quando os clientes se importam, os rankings jurídicos globais se importam. E quando os rankings se importam, os escritórios precisam se importar também.
Como a inteligência artificial está mudando os rankings jurídicos globais
A inteligência artificial entrou no debate sobre rankings jurídicos globais por dois caminhos simultâneos: como ferramenta avaliada pelas publicações e como instrumento utilizado pelas próprias publicações em seus processos de pesquisa. Nos dois casos, o impacto é real e crescente.
Do ponto de vista da avaliação, os grandes rankings jurídicos globais passaram a perguntar diretamente aos escritórios como eles utilizam tecnologia e inteligência artificial em seus processos de trabalho. A pergunta não é mais se o escritório usa IA: é como usa, com que profundidade, com que resultados e com que responsabilidade. Escritórios que implementaram ferramentas de revisão de contratos, análise de jurisprudência ou gestão de risco por meio de IA estão relatando esses casos com vantagem competitiva clara.
Por outro lado, as próprias publicações começaram a incorporar análise de dados e ferramentas algorítmicas em seus processos de pesquisa. O cruzamento de dados públicos, menções em mídia especializada, histórico de transações e volume de publicações técnicas já faz parte, em diferentes graus, das metodologias de avaliação dos rankings jurídicos globais mais sofisticados.
“O escritório que usa IA apenas para reduzir custos está competindo na guerra errada. Os rankings jurídicos globais querem saber como a tecnologia melhora a entrega para o cliente.”
Há também uma dimensão ética que começa a ganhar espaço nas avaliações: como o escritório governa o uso de inteligência artificial internamente? Existem protocolos de confidencialidade? Os advogados foram treinados para usar as ferramentas com responsabilidade? A OAB e os tribunais são consultados quando necessário? Essas são perguntas que os rankings jurídicos globais ainda não fazem de forma sistematizada, mas que estão claramente no horizonte.
Diversidade como critério de avaliação nos rankings jurídicos globais
De todos os novos critérios que os rankings jurídicos globais incorporaram nos últimos anos, a diversidade é o que gerou mais debate dentro dos próprios escritórios. E por uma razão simples: ela expõe a distância entre o discurso institucional e a realidade dos quadros de liderança.
Publicações como o Chambers and Partners lançaram iniciativas específicas para medir diversidade de gênero, raça e orientação sexual nas bancas avaliadas. O Chambers Diversity & Inclusion Awards, por exemplo, reconhece escritórios que demonstram compromisso real e mensurável com a equidade interna. Não é um prêmio de relações públicas: é uma avaliação baseada em dados fornecidos pelos próprios escritórios e verificados por pesquisadores independentes.
O que os rankings jurídicos globais querem ver vai além de programas de diversidade bem nomeados. As publicações analisam a proporção de sócias mulheres, a representação de advogados negros e pardos em posições de destaque, a existência de políticas formais de inclusão, a taxa de progressão de grupos historicamente sub-representados e, cada vez mais, os salários comparativos entre grupos dentro do escritório.
O que os rankings jurídicos globais medem em diversidade |
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Proporção de mulheres em posições de sócia e liderança |
Representação de advogados negros, pardos e indígenas nos rankings internos |
Políticas formais e documentadas de equidade e inclusão |
Taxa de progressão de carreira por grupo demográfico |
Programas de mentoria voltados para grupos sub-representados |
Transparência salarial e equidade de remuneração interna |
Para os escritórios brasileiros, esse critério representa um desafio particular. O mercado jurídico nacional ainda carrega profundas desigualdades estruturais, e muitos escritórios não possuem sequer dados organizados sobre a composição de seus quadros. Antes de disputar posições nos rankings jurídicos globais com base em diversidade, é preciso que o escritório saiba exatamente quem são seus profissionais, em que níveis estão e como isso evoluiu nos últimos anos.
Rankings jurídicos globais: o que as publicações líderes já estão fazendo
A transformação nos critérios dos rankings jurídicos globais não é uma promessa para o futuro: é uma realidade documentada nas metodologias atuais das principais publicações do setor. Vale examinar o que cada uma das líderes está fazendo para entender para onde o mercado está caminhando.
O Chambers and Partners, considerado o ranking mais influente no mercado jurídico global, incluiu na sua metodologia atual perguntas específicas sobre cultura organizacional, bem-estar dos profissionais, práticas de ESG e diversidade. A publicação também lançou o Chambers Impact Awards, que reconhece escritórios com contribuições relevantes em sustentabilidade, impacto social e inovação jurídica.
O Legal 500 ampliou significativamente seu questionário de submissão para incluir seções sobre governança interna, políticas de retenção de talentos e comprometimento com causas ESG. A publicação também introduziu categorias específicas voltadas para áreas emergentes, como direito de privacidade de dados, compliance ESG e regulação de tecnologia, que são espaços nos quais os escritórios brasileiros ainda têm muito a explorar nos rankings jurídicos globais.
O IFLR1000, especializado em transações financeiras, passou a valorizar não apenas o volume e a complexidade das operações, mas também a composição das equipes e a liderança feminina nas transações apresentadas. O Benchmark Litigation, por sua vez, começou a considerar como os escritórios comunicam e documentam seus êxitos em litígios de alta complexidade, o que aumentou o peso da estratégia de comunicação nas avaliações dos rankings jurídicos globais.
O impacto dessas mudanças para os escritórios brasileiros
Para os escritórios brasileiros que buscam visibilidade nos rankings jurídicos globais, as mudanças descritas neste artigo representam uma equação de duas partes. De um lado, há um desafio real de adaptação: muitos escritórios brasileiros ainda não estruturaram processos internos que permitam coletar, organizar e comunicar dados sobre ESG, diversidade e uso de tecnologia da forma que as publicações exigem.
De outro lado, há uma janela de oportunidade que não pode ser ignorada. O mercado jurídico brasileiro é robusto, sofisticado e opera em práticas de alto valor que interessam genuinamente às publicações globais. Escritórios que investirem agora em estruturar sua narrativa ESG, em diversificar suas lideranças e em adotar tecnologia com inteligência terão uma vantagem competitiva considerável sobre bancas concorrentes que ainda estão respondendo aos rankings jurídicos globais com base no modelo antigo.
Há também uma dimensão comercial direta nessa equação. Clientes corporativos globais que operam no Brasil, especialmente aqueles de capital estrangeiro ou com compromissos ESG formalizados, estão cada vez mais exigindo que seus assessores jurídicos locais demonstrem alinhamento com esses valores. Um bom posicionamento nos rankings jurídicos globais, ancorado em critérios modernos, é um argumento de venda poderoso para esse segmento de clientes.
“O escritório que souber contar a história certa, com os dados certos, para os rankings jurídicos globais certos, vai parecer maior do que é. O que não sabe vai parecer menor.”
Como se preparar estrategicamente para os rankings jurídicos globais
A preparação para os rankings jurídicos globais na nova era exige uma abordagem mais integrada do que a maioria dos escritórios está acostumada. Não basta designar um sócio para cuidar das submissões uma vez por ano. É preciso construir uma infraestrutura contínua de coleta de dados, comunicação e posicionamento.
O primeiro passo é o diagnóstico. Antes de qualquer submissão, o escritório precisa entender onde está em relação a cada um dos novos critérios avaliados pelos rankings jurídicos globais. Isso significa mapear a composição atual do quadro de profissionais por gênero, raça e senioridade; levantar as iniciativas ESG existentes e seus impactos documentados; identificar as ferramentas de tecnologia em uso e os resultados que geraram para os clientes; e avaliar a percepção atual do escritório no mercado por meio de pesquisas com clientes e pares.
O segundo passo é a construção da narrativa. Os rankings jurídicos globais avaliam não apenas o que o escritório fez, mas como ele conta o que fez. Uma transação de alto valor, apresentada sem contexto, sem dados e sem o relato do impacto gerado para o cliente, vale muito menos do que uma assessoria de complexidade média apresentada com precisão, clareza e evidências concretas.
Checklist estratégico para os rankings jurídicos globais |
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Diagnóstico completo de diversidade, ESG e tecnologia no escritório |
Banco de dados atualizado com casos, transações e assessorias relevantes |
Estrutura de coleta de referências de clientes ao longo do ano |
Narrativa institucional alinhada aos critérios das publicações-alvo |
Calendário de submissões com prazos, responsáveis e etapas definidas |
Estratégia de comunicação dos resultados após a publicação dos rankings |
Preparação de advogados para entrevistas com pesquisadores das publicações |
O terceiro passo é a consistência ao longo do tempo. Os rankings jurídicos globais constroem sua percepção sobre um escritório ao longo de múltiplos ciclos de avaliação. Escritórios que aparecem de forma consistente, que melhoram progressivamente suas submissões e que mantêm um relacionamento ativo com os pesquisadores das publicações tendem a ser avaliados de forma mais favorável do que escritórios que aparecem de forma irregular ou apenas quando têm algo extraordinário para mostrar.
END MKT: seu parceiro na corrida pelos rankings jurídicos globais
A END MKT nasceu para resolver um problema específico do mercado jurídico brasileiro: escritórios excelentes que não sabem como comunicar sua excelência. Esse gap entre a qualidade do trabalho realizado e a visibilidade conquistada nos rankings jurídicos globais é o terreno em que a END MKT atua.
Com expertise em rankings internacionais, comunicação jurídica, estratégia digital e tecnologia, a END MKT acompanha os escritórios em todas as etapas do processo: do diagnóstico inicial à elaboração das submissões, da preparação dos advogados para entrevistas à comunicação estratégica dos resultados. Cada etapa é conduzida por profissionais que conhecem o funcionamento das principais publicações globais e que entendem as particularidades do mercado jurídico brasileiro.
A END MKT também entende que a preparação para os rankings jurídicos globais é inseparável da estratégia de marketing e posicionamento do escritório como um todo. Por isso, trabalha de forma integrada com as equipes de comunicação, as lideranças do escritório e os profissionais que serão avaliados pelas publicações, construindo uma presença consistente, coerente e competitiva no mercado jurídico nacional e internacional.
